Novas regras da cirurgia bariátrica 2025 – o que mudou?

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Novas regras da cirurgia bariátrica 2025 – o que mudou?

As novas regras da cirurgia bariátrica já estão em vigor. Entenda quem pode realizar o procedimento, quais critérios mudaram e quais técnicas continuam recomendadas.

Uma resolução publicada pelo Conselho Federal de Medicina em 2025 atualizou as diretrizes para a realização de cirurgias bariátricas e metabólicas no Brasil. As mudanças envolvem os critérios de indicação, a idade dos pacientes, a participação da equipe multidisciplinar e as técnicas cirúrgicas recomendadas.

A nova norma também revogou orientações anteriores e trouxe critérios mais detalhados para pacientes adultos e adolescentes. O objetivo é tornar a indicação do procedimento mais individualizada, considerando não apenas o peso, mas também as condições de saúde e a resposta ao tratamento clínico da obesidade.

Quando a cirurgia bariátrica ou metabólica pode ser indicada?

A cirurgia pode ser considerada quando o tratamento clínico da obesidade não apresenta o resultado esperado. Isso significa que o paciente não respondeu adequadamente a estratégias como mudanças na alimentação, acompanhamento nutricional e uso de medicamentos, ou não conseguiu alcançar o controle metabólico necessário.

A indicação deve ser discutida pelo cirurgião e por uma equipe multidisciplinar, que avaliam o histórico clínico, as doenças associadas e as necessidades individuais do paciente.

Uma das principais mudanças é a retirada da exigência de um período mínimo de dois anos de tratamento clínico antes da cirurgia. A partir da nova norma, a equipe responsável pode definir o momento mais adequado para indicar o procedimento, de acordo com a evolução de cada caso.

Quais são os critérios de IMC para fazer a cirurgia?

A resolução mantém a indicação para pacientes com índice de massa corporal igual ou superior a 40, correspondente à obesidade grau III, mesmo quando não existem doenças associadas.

Também permanece a possibilidade de cirurgia para pacientes com IMC entre 35 e 40, classificado como obesidade grau II, desde que apresentem condições relacionadas ao excesso de peso, como diabetes e hipertensão arterial.

Para pacientes com IMC entre 30 e 35, correspondente à obesidade grau I, a indicação pode ocorrer quando existem comorbidades mais graves. Entre os exemplos mencionados estão diabetes tipo 2 descompensado, apneia do sono grave, gordura no fígado com fibrose e refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica.

Portanto, o IMC continua sendo um dos critérios considerados, mas não deve ser analisado isoladamente. As condições clínicas e metabólicas do paciente também influenciam a decisão.

Adolescentes também podem fazer cirurgia bariátrica?

A partir dos 16 anos, os critérios para indicação da cirurgia passam a ser os mesmos utilizados para os adultos.

Em situações excepcionais de obesidade grave, adolescentes entre 14 e 16 anos também podem ser considerados para o procedimento. Porém, a avaliação não se limita ao peso ou ao IMC.

É necessário analisar a maturidade psicológica do adolescente, sua capacidade de compreender as mudanças relacionadas à cirurgia e a presença de uma estrutura familiar sólida para apoiar o tratamento antes e depois do procedimento.

Qual é o papel da equipe multidisciplinar?

A nova norma reforça a necessidade de acompanhamento por uma equipe multidisciplinar composta por profissionais de diferentes áreas.

Entre os especialistas envolvidos estão endocrinologista, cardiologista, psiquiatra, nutrólogo, nutricionista, psicólogo e cirurgião.

Essa equipe participa da avaliação pré-operatória, da definição da melhor estratégia terapêutica e do acompanhamento em longo prazo. O trabalho conjunto é importante porque a cirurgia não trata apenas o excesso de peso, mas faz parte de um cuidado contínuo para uma doença crônica.

Quais técnicas cirúrgicas continuam recomendadas?

O bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical, também chamada de sleeve, permanecem entre as principais técnicas recomendadas.

Esses procedimentos continuam sendo considerados opções de referência devido à segurança e à eficácia observadas no tratamento da obesidade.

Outras técnicas, como o duodenal switch e o bypass de anastomose única, passaram a ser classificadas como alternativas. Elas podem ser consideradas principalmente em cirurgias de revisão ou em situações nas quais os procedimentos realizados anteriormente não proporcionaram os resultados esperados.

Quais técnicas deixaram de ser recomendadas?

A banda gástrica ajustável e a cirurgia de Scopinaro foram retiradas da lista de técnicas recomendadas pelo Conselho Federal de Medicina.

Segundo a diretriz apresentada, essa mudança está relacionada aos resultados considerados insatisfatórios e ao risco de complicações mais graves, incluindo a possibilidade de necessidade de novas cirurgias.

A escolha da técnica deve sempre ser individualizada, considerando o perfil do paciente, suas condições clínicas e a avaliação da equipe responsável.

A cirurgia representa o fim do tratamento?

A cirurgia bariátrica não deve ser vista como o encerramento do tratamento da obesidade. Ela representa o início de uma nova etapa do acompanhamento.

Após o procedimento, o paciente precisa manter seguimento médico, nutricional e psicológico, além de incorporar mudanças duradouras no estilo de vida.

O objetivo das novas diretrizes é proporcionar perda de peso com segurança, melhorar o controle metabólico e preservar a qualidade de vida do paciente, reduzindo os riscos relacionados ao procedimento.

Por isso, quem se enquadra nos critérios para cirurgia bariátrica ou já realizou o procedimento e necessita de reavaliação deve buscar uma equipe multidisciplinar qualificada para conduzir todas as etapas do tratamento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que mudou nas regras da cirurgia bariátrica em 2025?

A principal mudança foi a retirada da exigência de dois anos mínimos de tratamento clínico antes da cirurgia, permitindo uma avaliação mais individualizada.

2. Quem pode fazer cirurgia bariátrica pelas novas regras?

Pacientes que atendam aos critérios de IMC e às condições clínicas estabelecidas pelo CFM, após avaliação de uma equipe multidisciplinar.

3. Adolescentes podem fazer cirurgia bariátrica?

Sim. A partir dos 16 anos, seguem os mesmos critérios dos adultos. Em casos excepcionais, adolescentes entre 14 e 16 anos também podem ser avaliados.

4. Quais técnicas de cirurgia bariátrica continuam recomendadas?

O bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical (sleeve) permanecem entre as principais técnicas recomendadas.

5. A cirurgia bariátrica cura a obesidade?

Não. A cirurgia faz parte do tratamento da obesidade e deve ser acompanhada por mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo.

Dra. Milena Miguita
CRM: 141.465 – RQE: 56848
Atendimento humanizado e a prezar pelo bem-estar do paciente. Esses são os focos da clínica de endocrinologia da Dra. Milena Miguita.

Referências